Senóide - Axial | encarte on-line

 

Ficha técnica:


Produzido por Felipe Julián.

Masterizado por Felipe Julián e André Magalhães

Programação visual por Edu Marin Kessedjian e Daniel Trench

gravado e mixado em 2007/2008


agradecimentos


casa fanti-ashanti, talabyan euclides menezes ferreira, dindinha menezes, zezé menezes, graça menezes, elomar, lincoln antonio, chico saraiva, sergio cohn, luiz tatit, thula kawasaki, viviana pereira, cooperativa de música de são paulo, andré magalhães, estúdio zabumba, edu marin kessedjian, daniel trench


Conteúdo licenciado em Creative Commons BY-NC-ND


Este trabalho foi contemplado com Prêmio Ney Mesquita da Cooperativa de Música de São Paulo em sua primeir tiragem de 1000 cópias

mediterrâneo

felipe julián


onde ferro entranha pedra planta

o longe rente


mar se fará método e fonético o alfabeto


entre ocaso e oriente

ferro de forjar ferro

gente forjará gente


desarraigado assim desarraigante


onde pedra planta ferro entranha

ocidente



exu

domínio público/ cântico do candomblé da Casa Fanti-Ashanti


exu iua juá mamá

ké i odara

laroiê


exu iua juá mamá

ké i odara

babá ebó/ ê iaô



claridade luz

letra  stela do patrocínio

música  lincoln antonio


para Silvana Gorab



eu tava tomando claridade luz

eu tava tomando claridade luz

quando a luz apagou

claridade apagou

tudo ficou nas trevas

da madrugada mundial

sem luz


quando no escuro

fizeram poça pra pegar a luz

fizeram poça pra pegar a luz

fizeram poça pra pegar a luz

e a claridade



arenosa

letra  manuel castilla

música  gustavo leguizamón


dedicada a lucia pulido, fernando tarres e la raza


arenosa, arenosita

mi tierra cafayateña

el que bebe de tu vino

gana sueño e pierde pena


deja que beba em tu vino

la sabia cafayateña

y que me pierda em la cueca

cantando antes que me muera



arena, arenita

arena tapa mi huella

para que em la vendimia,

vidita, yo vuelva a verla



el agua del calchaquí,

padre de todas las siembras,

quando uno se va y no vuelve

anda llorando y lo sueña


luna de los medanales

lunita cafayateña

luna de arena morena

en carnavales de ausencia






cantiga de amigo

elomar


lá na casa do carneiros onde os violeiros

vão cantar louvando você

em cantigas de amigo cantando comigo

somente porque você é minha amiga mulher

lua nova no céu que já não me quer


dezessete é minha conta vem amiga e conta

uma coisa linda pra mim

conta os fios dos teus cabelos sonho e anelos

conta-me se o amor não tem fim... madre amiga é ruim

me mentiu jurando amor que não tem fim


lá na casa dos carneiros sete candeeiros

iluminam a sala de amor

sete violas em clamores sete cantadores

são sete tiranas de amor para amiga em flor

que partiu e até hoje não voltou


dezessete é minha conta vem amiga e conta

uma coisa linda pra mim

pois na casa dos carneiros violas e violeiros

só vivem clamando assim: madre amiga é ruim

me mentiu jurando amor que não tem fim



obá

domínio público/ cântico do candomblé da Casa Fanti-Ashanti


obá ê legoa ja ussi

obá ê legoa ja ussi


oluô obá mil’obá

obá ê legôa ja ussi



senóide

sandra ximenez, felipe julián, leonardo muniz corrêa






feitiço infinito

sandra ximenez


onde inicio o risco do oito


feitiço infinito


todos os pontos pintam no centro

todos os pontos pintam o centro

todos os pontos pintam


risco certo ponto

encanto

indico como

visto feitiço



filha da palavra

letra  sandra ximenez (inspirada em obra lítero-visual da artista thula kawasaki)

música  sandra ximenez e felipe Julián


(não posso deixar escapar meu pensamento)


thula kawasaki disse que

a menina conhecia melhor que ninguém

tudo aquilo que não existia


... eu sou filha da palavra

eu nasci de uma idéia ...


(não posso deixar escapar meu coração)


eu me deparo com o vazio

eu firmo o passo, respiro o abismo


corro, disparo no vazio

respiro o passo, eu firmo o abismo


eu fecho os olhos no vazio

eu sopro vozes nos vazios

projeto o corpo no vazio

eu firmo o passo, respiro o abismo

eu firmo o passo, respiro o abismo



faísco olhares nos vazios

eu viro o passo, respiro acima


caminho sobre os edifícios

espalho folhas nos meninos

recolho mitos modos femininos

eu firmo o passo, respiro o abismo

eu firmo o passo, respiro o abismo


... eu sou filha da palavra

eu nasci de uma idéia ...



suspiro vozes no caminho (sussurro frases no vazio)

meu medo escapa por um fio

eu dou de cara com o abismo

e sobrevôo o precipício



rupestre

letra  parte I. do poema canção do ver de manoel de barros

música  felipe julián e leonardo muniz corrêa


por viver muitos anos dentro do mato

moda ave

o menino pegou um olhar de pássaro –

contraiu visão fontana.

por forma que ele enxergava as coisas

por igual

como os pássaros enxergam.

as coisas todas inominadas.

água não era ainda a palavra água.

pedra não era ainda a palavra pedra.

e tal.

as palavras eram livres de gramáticas e

podiam ficar em qualquer posição.

por forma que o menino podia inaugurar.

podia dar às pedras costumes de flor.

podia dar ao canto formato de sol.

e, se quisesse caber em uma abelha, era

só abrir a palavra abelha e entrar dentro

dela.

como se fosse infância da língua.



peregum

domínio público/ cântico para Ossaim do candomblé baiano


peregum ala ó titum ô

peregum ala ó titum

abadana tu ala ò perê

peregum ala ó titum


eue kiô bassá gojé

eue bobo d’Orixá

eue kiô bassá gojé babá

eue bobo d’Orixá



incerteza

letra  Luiz Tatit

música  Chico Saraiva


esse amor imenso

que não tem mais fim

eu não sei quem foi que fez

crescer tanto assim


é tão impreciso

não sei distinguir

o que vem só de você

do que vem de dentro de mim


se é a incerteza

que nos faz bem

ou o mistério

que também tem

se é delírio

não saber quem é quem


toda vez que canto

ouço a sua voz

é o que sempre você diz

cada um por nós


se nada é só de mim

se nada é só você

não há mais que um ser



o mar

letra  trecho do poema o cão sem plumas de joão cabral de melo neto

música  sandra ximenez


o mar e seu incenso,

o mar e seus ácidos,

o mar e a boca de seus ácidos,

o mar e seu estômago

que come e se come,

o mar e sua carne

vidrada, de estátua,

seu silêncio, alcançado

à custa de sempre dizer

a mesma coisa,

o mar e seu tão puro

professor de geometria.



eu danço!

letra  mário de andrade

música  leonardo muniz Corrêa


eu danço manso, muito manso,

não canso e danço,

danço e venço,

manipanço...

só não penso...



inscrição

letra  sergio cohn

música  sandra ximenez


não pensar intenções

mas desejos


ver-se

no reflexo

de pupilas alheias


(todo sonho permanece preso

ou não-nascido)




oxumaré

domínio público/ cântico do candomblé da Casa Fanti-Ashanti


oniceuá

oniceuá vodum qüê ô dabó

pajelo lomedó


vodum cabelô dabó

vodum dandá rondê






faixas obá, oxumaré e exu 

quarteto de saxofones bando de campana (leonardo muniz corrêa, anderson quevedo, felippe figueiredo e mário checchetto)

arranjos  felipe julián

baixo em oxumaré  felipe julián


faixa  incerteza

produção  sandra ximenez


faixas peregum, obá, oxumaré e exu

a grafia das letras desses cânticos, neste encarte, corresponde à compreensão fonética ouvida em gravações e não à escrita dos idiomas africanos



algumas das músicas deste álbum foram realizadas com samples obtidos no site the freesound project que busca ser um banco colaborativo de sons licenciados via creative commons.

agradecemos as contribuições espontâneas de:jonathanJansen, anton, acclivity, ao_ks, jovica, harri, stinkhorn, freed, martian, einsamba, dobroide, lancelottjones, batchku, samplecat, jenc, dcbicycle, agarwal.parag, d.garro, djgriffin, patchen, ls, mikjay, fonogeno, sleep.