ambiente colaborativo de discussões em torno de questões da cultura
Terça-feira, 29 de Maio de 2007
Baixe o livro Cultura Livre de Lawrence Lessig
Em Cultura Livre, Lawrence Lessig nos convida a rever a história do direito autoral, desde sua criação até sua simples adoção de forma universal nos dias de hoje. Citando casos que variam de experimentos técnicos dentro de grandes corporações aos primeiros dias da aviação, o professor de direito na Stanford Law School mostra como as empresas multinacionais usaram de artifícios legais e tecnológicos partindo do copyright para impedir o nascimento de obras de arte que, em outras épocas, foram consideradas obras-primas ou revolucionárias. Cultura Livre foi o estudo que deu origem ao projeto Creative Commons, ONG liderada por Lessig que visa rever os conceitos de direito autoral e copyright através de um conjunto de licenças. O livro foi lançado no Brasil durante o II Encontro de Mídia Universitária, quando a Agência de Notícias TU lançou a Licença para a Integração das Mídias Universitárias. A Licença, baseada nos preceitos do Creative Commons, permite que veículos de comunicação independentes e produtores culturais possam publicar suas obras em quaisquer TVs, rádios, revistas, jornais ou sites universitários, criando assim um ambiente de mídia universitária no país. Além de distribuído para os representantes de mídia que participaram do evento e para bibliotecas universitárias do país, o Cultura Livre também está disponível para download em PDF no link abaixo. Para ler o arquivo, você precisa baixar o programa Acrobat Reader.
Estamos disponibilizando junto ao site do AXIAL o NGO-IN-A-BOX (que poderiamos traduzir para ONG NA CAIXINHA).
Trata-se de uma seleção de softwares, documentos, tutorias para produção de áudio e vídeo - tudo livre e compartilhável via Creative Commons.
Nós do AXIAL acreditamos que QUALQUER pessoa tem o direito de se expressar artisticamente ou jornalisticamente. No entanto sabemos que é muito difícil ter acesso às ferramentas de produção dado seu elevado valor, principalmente em paises do terceiro mundo. Asssim, nada mais justo e interessante que criar ferramentas novas, gratuitas, compartilháveis e democráticas para dar uma ajeitada nesse desequilíbrio. Não há sociedade que possa se constituir em plena democracia sem que os sistemas de comunicação desta sejam exemplarmente democráticos.
Assim sendo, la vai mais uma gota nesse aceano:
"The Audio and Video edition of NGO-in-a-Box is a toolkit that lowers the entry level for NGOs, non-profits and media activists wanting to use audio and video to effect change. It is a collection of Free and Open Source Software (FOSS) tools, documentation and tutorials that introduces you to the world of FOSS and the low-cost technology that is transforming the balance of forces in the realm of media production. Traditionally audio and video production and distribution have been cost prohibitive for most people, particularly for those in transition or developing countries. New technologies are changing that. We've put together a kit that lowers the entry level for NGOs and individuals wanting to use audio and video, introduces you to the world of FOSS as well as low-cost technology and its possibilities for transforming the balance of forces in the realm of media production. read more".
Este texto do colega virtual Hermano Vianna fala sobre a publicação da caixa com 6 CDs contendo parte dos registros das missões de pesquisas folclóricas de Mário de Andrade. Este material, sendo objeto direto derecriações do AXIAL merece então ser posto em discussão neste nosso blog. A integra da matéria do Hermano você encontra no site OVERMUNDO
"A viagem da Missão de Pesquisas Folclóricas, organizada por Mário de Andrade e realizada em 1938, é um daqueles acontecimentos centrais para a compreensão dos rumos tomados pela cultura brasileira, e pela noção de identidade brasileira, no Século XX. Mas como tantos outros desses acontecimentos, sempre foi mais citada do que conhecida. Não havia muito como conhecer: até o final de 2006, era quase impossível ter acesso a seus registros (músicas, fotografias, filmes, objetos etc.) a não ser depois de longa peregrinação para uma sala do Centro Cultural São Paulo, onde estavam guardados com muito cuidado (o que significava também - e de certa forma ainda bem! - uma dificuldade extra para conseguir autorizações para pesquisar as Pesquisas). Então tudo contribuía para que o material ficasse envolto em mitos, ou ganhasse a aura de uma preciosidade artística com a qual nunca poderíamos estabelecer contato.Eu sempre ouvia falar dos registros, mas meu único contato com eles foi através de um CD, lançado pela Biblioteca do Congresso Americano dentro do Projeto Música em Perigo (reparem no nome, que certamente ajudava a fortalecer o mito...), contendo apenas 23 faixas curtinhas. Sabia, pelo livro Acervo de Pesquisas Folclóricas de Mário de Andrade 1935-1938, que havia mais de 1.200 fonogramas registrados nas viagens. Ficava sonhando com o o que eu não escutara, e já estava me acostumando com a idéia que nunca iria escutar... Mas para alegria geral da nação, o Centro Cultural São Paulo, a Secretaria de Cultura de São Paulo (dirigida por Carlos Augusto Calil, que felizmente havia sido diretor do CCSP e portanto tinha grande familiaridade com o material), e o SESC-SP (que felizmente é dirigido pelo Danilo Miranda) deram fim ao mistério lançando uma caixa com 6 CDs (nesse link você pode ouvir as músicas, ver fotos, ler mais textos etc.) contendo o melhor desses registros sonoros. Diante de tanta demora, saudei o lançamento como acontecimento tão importante quanto a própria realização da Missão! (E já deu no New York Times!)Então: o material precioso é agora acessível. O que devemos fazer com ele? Poderíamos manter em seu entorno a atitude reverencial que votamos aos mitos mais sagrados, descobrindo ali todas nossas mais profundas raízes de autêntico povo brasileiro. O ideário da Missão alimenta essa reverência: era como se aquilo tudo a ser registrado fosse acabar no dia seguinte (e não acabou, muitas dessas músicas continuam vivas, e algumas até mais fortes do que eram antes, como pude perceber nas viagens do Música do Brasil); era como se tudo aquilo fosse puro, sem contato com a modernidade (o que escutar as próprias músicas desmente, como vou comentar em detalhes adiante). Então minha proposta vai em sentido contrário ao da "busca de raízes": vamos acabar com o mito de uma vez por todas? Aqui não vai nenhuma sugestão de desrespeito, ou de profanação inconseqüente: na verdade penso no mais profundo respeito, que sirva para dar nova vida para o material, que já está digitalizado e pode ser "manuseado" com vigor, sem perigo de "desaparecimento" dos registros (que esse era sim um perigo real, físico). Pensei num exercício um tanto ou quanto iconoclasta, mas ao mesmo tempo e paradoxalmente devoto: queria escutar as músicas sem pensar em sua distanciadora importância histórica, ou "mitológica" - queria escutar esses CDs como se fossem quaisquer outros CDs, lançados hoje - queria investigá-los para saber o que eles têm a dizer para o mundo de hoje, esquecendo o seu lado de "peças de museu". O que resta dessas músicas, sem o mito? E o que elas iluminam na musicalidade brasileira (seja pop ou "tradicional") de hoje?É o que vou fazer aqui: uma série de comentários sobre as faixas com as quais estabeleci um diálogo, digamos assim, contemporâneo (por favor: não procure aqui rigor etnomusicológico: a intenção é completamente outra...) Que músicas me fazem dançar? Como ouvir essas músicas com ouvidos pós-tropicalistas, pós-música-eletrônica-de-pista-de-dança, pós-barulho-do-rock-and-roll? Há conexões possíveis? Veremos. O que apresento a seguir é apenas o início dos trabalhos - é uma obra aberta e inacabada. Vou continuar completando o exercício, nos comentários, toda vez que tiver algo a falar sobre uma outra música, toda vez que estabelecer links entre elas e o mundo de hoje (ou com a maneira como o mundo de hoje pensa seu passado musical/cultural brasileiro). Convido todo mundo para entrar na brincadeira. Escute os discos, faça suas próprias conexões. Pode até pegar caronas nas minhas conexões, ou desconectá-las, propondo novos links. Seria bom começar também a remixar os registros (não sei se os direitos autorais permitem...) ou a fazer logo suas novas versões (como o pessoal do Projeto Axial já faz). O objetivo: aproveitar os lançamentos dos CDs e colocar essas músicas novamente para circular. No meu entender, não poderíamos fazer nada melhor, ou ter maior respeito, por elas.Sendo assim... Vamos às músicas:"
O Senado está a um passo de aprovar um projeto de lei, de autoria do senador Marcelo Crivella (PRB-RJ), sobrinho de Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus) que incluiria as igrejas entre as beneficiárias do Programa Nacional de Apoio à Cultura (Pronac). Mais conhecida como "Lei Rouanet", aprovada em 1991 pelo Congresso Nacional, o Pronac permite que empresas invistam em projetos culturais até 4% do equivalente ao Imposto de Renda devido. O projeto chegou a ser aprovado em caráter terminativo na Comissão de Educação, mas um recurso para que fosse apreciado pelo plenário impediu que seguisse para a Câmara. Uma emenda apresentada pelo senador Sibá Machado (PT-AC) obrigou a volta do texto para a comissão. Ainda precisará ser votado no plenário do Senado e depois ir à Câmara. Como o projeto original fazia referência apenas a “templos”, sem especificar sua natureza, ao estender a eles os benefícios da Lei Rouanet, o senador Sibá considerou necessário acrescentar um adendo. A emenda, que teve o parecer favorável do senador Paulo Paim (PT-RS), foi aprovada pela Comissão de Educação e deixa mais claro que o Pronac poderá ser usado para contemplar não só museus, bibliotecas, arquivos e entidades culturais, como também “templos de qualquer natureza ou credo religioso”. A proposta agora segue novamente para o plenário, onde alguns senadores prometem reagir contra a idéia. Está mais do que na hora de as pessoas envolvidas e/ou preocupadas com a verdadeira cultura em nosso País, reagirem e tomarem uma providência.
A Cooperativa de Música realiza em junho o evento Encontros Digitais na sede em São Paulo. Durante os três primeiros sábados do referido mês os cooperados estão convidados a conhecer as possibilidades que o universo das tecnologias digitais oferece para a viabilização do trabalho do músico. O nosso Cooperado Felipe Julián, responsável pela elaboração do conteúdo das conversas, vai compartilhar a experiência pessoal nesta área. No dia 2 o tema será Difusão e Comercialização na Internet:Alternativas à falta de alternativa. Produção Musical – Hardware, software e internet serão tratados no bate-papo do dia 9. Encerrando os encontros, no dia 16, Felipe aborda Direito Autoral e Produção de riquezas na era digital.
Para se inscrever responda a este e-mail até o dia 30 de maio confirmando o dia escolhido. Os encontros são GRATUITOS e não têm limite de participação podendo o cooperado freqüentar os três dias.
“Que recursos oferece a internet de hoje para a divulgação de trabalhos, para a difusão de obras e para a comercialização de músicas?”. Felipe afirma que são inúmeros os caminhos e, na maioria das vezes, gratuitos. Segundo ele, atualmente é possível alcançar com precisão “por meio de recursos de redes colaborativas de produção e relacionamento virtual” o público-alvo para cada trabalho musical. Ele cita ferramentas como sites, blogs e rádios, alguns dos mais popularizados. No encontro do dia 2, Felipe vai falar sobre esses recursos e ainda podcasting, padrões de áudio e vídeo, inteligência coletiva, colaborativismo e Cooperativismo, entre outros.
O encontro do dia 9 vai investigar passo-a-passo o que é necessário para o músico produzir seu trabalho digitalmente. “Produzir música em computadores tornou-se possível para todos os que tiverem um pouco de capital e muita paciência”, diz Felipe. No último encontro, dia 16, sobre Direito Autoral e produção de riquezas na era digital, Felipe aborda iniciativas como o Creative Commons e as novas modalidades do direito autoral. Acesse o site da Cooperativa de Música (www.cooperativademusica.com.br) e conheça na íntegra os textos de apresentação dos Encontros Digitais produzidos por Felipe Julián.
Sobre Felipe Julián
Felipe Julián é músico e membro da Cooperativa de Música. Integra o grupo AXIAL e trabalha com edição e produção de áudio para vídeo, teatro, dança e artes plásticas. Realizou diversas oficinas educativas de “áudiocenografia e informática musical” junto aos SESCs da capital. Foi responsável pelo desenvolvimento de um dos primeiros sistemas customizáveis e compartilháveis de música on-line na Internet Brasileira: o player do CBMS (Catálogo Brasileiro de Músicos e Serviços) site que administrou até o dia em que o servidor pifou perdendo todos os dados. Criou o CDVirtual, sistema de streaming permitindo o envio de CDs inteiros por e-mail. Acesse o endereço http://www.axialvirtual.com/ e conheça mais sobre o trabalho do grupo Axial.
SERVIÇO:
ENCONTROS DIGITAIS NA COOPERATIVA DE MÚSICA
2 DE JUNHO – Difusão e Comercialização na Internet 9 DE JUNHO – Produção Musical – hardware, software e internet 16 DE JUNHO – Direito Autoral e Produção de Riquezas na era Digital
Hora: das 16 às 19h
Local: Sede da Cooperativa de Música em São Paulo (Av. professor Alfonso Bovero, 613 – Perdizes)