Blog Projeto Axial

Terça-feira, 24 de Junho de 2008

Sincretismo e novas midias

O sincretismo, na formação do Brasil, muito mais do que um modo de resistência e autopreservação, foi um dos alicerces com o qual a cultura brasileira se construiu. Uma cultura mestiça, uma cultura dominada e dominante. Uma cultura da coexistência e da assimilação.

Uma coexistência a força em sua origem. Uma relação de dominação entre senhores e escravos, entre brancos e índios que fracassou enquanto modelo cultural. Tendo sido submetida a figura do dominador de tal forma aos hábitos e costumes dos dominados, e com tamanho isolamento das metrópoles culturais do mundo daquela época, pouco restou a estes desarraigados senão perder-se no espaço-tempo cultural de um Brasil em plena construção.

A cada investida no sentido de civilizar negros e índios o branco assimilava mais e mais a cultura que visava suprimir. Eram os brancos, na verdade, os primeiros antropófagos.

E essa mesma nação que aprendeu a praticar e fazer uso de um certo tipo de tolerância – como no caso da capoeira – uma luta disfarçada de jogo e dança – é hoje, uma das sociedades que mais se apropria antropofagicamente das novas ferramentas de comunicação.

Optando cada vez mais por sistemas livres, democráticos e descentralizados de comunicação e difusão de idéias esta sociedade começa a encontrar alternativas midiáticas cada vez mais independentes daquele velho sistema de comunicação de massas que, ainda que as vezes público, sempre atendeu a interesses privados por definição.

A voracidade dos usuários destes novos meios de comunicação banaliza a mídia convencional e revela seu anacronismo numa sociedade que tem urgência para o debate e produção de soluções.

A circulação de idéias aumenta em velocidade e quantidade.
Cada vez menos se tolera o direito à exploração financeira destas idéias ou dos meios de intercambio das mesmas. Qualquer empecilho é visto como um anti-catalizador destes processos. Conceitos antiquados como os implícitos na propriedade intelectual passam a ser cada vez mais postos a prova. E quanto mais ampla é a aplicação destes conceitos na realidade do mundo, mais eles se revelam imperfeitos e insuficientes. Mais eles se revelam subservientes de interesses de uma minoria em detrimento de um coletivo maior.


O fato é que temos experimentado algums goles a mais de liberdade do que o que estávamos acostumados. E isso tem despertado uma sede voraz. E portanto começam a surgir os subprodutos: liberdade de mercado sendo defendida com base nos mesmos argumentos que a liberdade de expressão. Um erro perigoso visto que a imaterialidade das idéias permite-lhes o direito ao erro, a experimentação e à prova; enquanto que um mercado que se permite o errar e o experimentar é um mercado potencialmente capaz de matar e destruir ainda que não o faça intencionalmente. É um mercado que conhecemos bem.

Daí o papel fundamental da arte enquanto um laboratório de idéias e técnicas. Sim. Na arte é permitido ao ser humano errar. E cada erro da arte é tão útil a sociedade quanto um acerto. Quem sabe a função do acerto na arte não seja muito mais do que simplesmente evidenciar o que seria um erro. E sendo a arte imaterial (não enquanto suporte mas sim enquanto conceito) nos permite colocar a prova e refletir a respeito absolutamente toda e qualquer coisa que a sociedade produza ou reproduza.

Daí a fundamental importância da arte fazer uso desses novos sistemas de comunicação enquanto matéria prima ou suporte, neste momento um tanto peculiar da historia humana.

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Terça-feira, 29 de Maio de 2007

NGO-IN-A-BOX

Estamos disponibilizando junto ao site do AXIAL o NGO-IN-A-BOX (que poderiamos traduzir para ONG NA CAIXINHA).

Trata-se de uma seleção de softwares, documentos, tutorias para produção de áudio e vídeo - tudo livre e compartilhável via Creative Commons.

Nós do AXIAL acreditamos que QUALQUER pessoa tem o direito de se expressar artisticamente ou jornalisticamente. No entanto sabemos que é muito difícil ter acesso às ferramentas de produção dado seu elevado valor, principalmente em paises do terceiro mundo. Asssim, nada mais justo e interessante que criar ferramentas novas, gratuitas, compartilháveis e democráticas para dar uma ajeitada nesse desequilíbrio. Não há sociedade que possa se constituir em plena democracia sem que os sistemas de comunicação desta sejam exemplarmente democráticos.

Assim sendo, la vai mais uma gota nesse aceano:

"The Audio and Video edition of NGO-in-a-Box is a toolkit that lowers the entry level for NGOs, non-profits and media activists wanting to use audio and video to effect change. It is a collection of Free and Open Source Software (FOSS) tools, documentation and tutorials that introduces you to the world of FOSS and the low-cost technology that is transforming the balance of forces in the realm of media production.
Traditionally audio and video production and distribution have been cost prohibitive for most people, particularly for those in transition or developing countries. New technologies are changing that. We've put together a kit that lowers the entry level for NGOs and individuals wanting to use audio and video, introduces you to the world of FOSS as well as low-cost technology and its possibilities for transforming the balance of forces in the realm of media production.
read more".

então façam uso:

www.axialvirtual.com/ngo

...e comentem por aqui.

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