mediterrâneo
felipe julián
onde ferro entranha pedra planta
o longe rente
mar se fará método e fonético o alfabeto
entre ocaso e oriente
ferro de forjar ferro
gente forjará gente
desarraigado assim desarraigante
onde pedra planta ferro entranha
ocidente
exu
domínio público/ presente no candomblé da Casa Fanti-Ashanti
exu iua juá mamá
ké i odara
laroiê
exu iua juá mamá
ké i odara
babá ebó/ ê iaô
claridade luz
letra stela do patrocínio
música lincoln antonio
para Silvana Gorab
eu tava tomando claridade luz
eu tava tomando claridade luz
quando a luz apagou
claridade apagou
tudo ficou nas trevas
da madrugada mundial
sem luz
quando no escuro
fizeram poça pra pegar a luz
fizeram poça pra pegar a luz
fizeram poça pra pegar a luz
e a claridade
arenosa
letra manuel castilla
música gustavo leguizamón (SADAIC, Argentina)
dedicada a lucia pulido, fernando tarres y la raza
arenosa, arenosita
mi tierra cafayateña
el que bebe de tu vino
gana sueño e pierde pena
deja que beba em tu vino
la sabia cafayateña
y que me pierda em la cueca
cantando antes que me muera
arena, arenita
arena tapa mi huella
para que em la vendimia,
vidita, yo vuelva a verla
el agua del calchaquí,
padre de todas las siembras,
quando uno se va y no vuelve
anda llorando y lo sueña
luna de los medanales
lunita cafayateña
luna de arena morena
en carnavales de ausencia
cantiga de amigo
elomar figueira
lá na casa do carneiros onde os violeiros
vão cantar louvando você
em cantigas de amigo cantando comigo
somente porque você é minha amiga mulher
lua nova no céu que já não me quer
dezessete é minha conta vem amiga e conta
uma coisa linda pra mim
conta os fios dos teus cabelos sonho e anelos
conta-me se o amor não tem fim... madre amiga é ruim
me mentiu jurando amor que não tem fim
lá na casa dos carneiros sete candeeiros
iluminam a sala de amor
sete violas em clamores sete cantadores
são sete tiranas de amor para amiga em flor
que partiu e até hoje não voltou
dezessete é minha conta vem amiga e conta
uma coisa linda pra mim
pois na casa dos carneiros violas e violeiros
só vivem clamando assim: madre amiga é ruim
me mentiu jurando amor que não tem fim
obá
domínio público/ presente no candomblé da Casa Fanti-Ashanti
obá ê legoa ja ussi
obá ê legoa ja ussi
oluô obá mil’obá
obá ê legôa ja ussi
senóide
sandra ximenez, felipe julián, leonardo muniz corrêa
feitiço infinito
sandra ximenez
onde inicio o risco do oito
feitiço infinito
todos os pontos pintam no centro
todos os pontos pintam o centro
todos os pontos pintam
risco certo ponto
encanto
indico como
visto feitiço
filha da palavra
letra sandra ximenez (inspirada em obra lítero-visual da artista thula kawasaki)
música sandra ximenez e felipe Julián
(não posso deixar escapar meu pensamento)
thula kawasaki disse que
a menina conhecia melhor que ninguém
tudo aquilo que não existia
... eu sou filha da palavra
eu nasci de uma idéia ...
(não posso deixar escapar meu coração)
eu me deparo com o vazio
eu firmo o passo, respiro o abismo
corro, disparo no vazio
respiro o passo, eu firmo o abismo
eu fecho os olhos no vazio
eu sopro vozes nos vazios
projeto o corpo no vazio
eu firmo o passo, respiro o abismo
eu firmo o passo, respiro o abismo
faísco olhares nos vazios
eu viro o passo, respiro acima
caminho sobre os edifícios
espalho folhas nos meninos
recolho mitos modos femininos
eu firmo o passo, respiro o abismo
eu firmo o passo, respiro o abismo
... eu sou filha da palavra
eu nasci de uma idéia ...
suspiro vozes no caminho (sussurro frases no vazio)
meu medo escapa por um fio
eu dou de cara com o abismo
e sobrevôo o precipício
rupestre
letra parte I. do poema canção do ver de manoel de barros
música felipe julián e leonardo muniz corrêa
por viver muitos anos dentro do mato
moda ave
o menino pegou um olhar de pássaro –
contraiu visão fontana.
por forma que ele enxergava as coisas
por igual
como os pássaros enxergam.
as coisas todas inominadas.
água não era ainda a palavra água.
pedra não era ainda a palavra pedra.
e tal.
as palavras eram livres de gramáticas e
podiam ficar em qualquer posição.
por forma que o menino podia inaugurar.
podia dar às pedras costumes de flor.
podia dar ao canto formato de sol.
e, se quisesse caber em uma abelha, era
só abrir a palavra abelha e entrar dentro
dela.
como se fosse infância da língua.
peregum
domínio público/ cântico para Ossaim do candomblé baiano
peregum ala ó titum ô
peregum ala ó titum
abadana tu ala ò perê
peregum ala ó titum
eue kiô bassá gojé
eue bobo d’Orixá
eue kiô bassá gojé babá
eue bobo d’Orixá
incerteza
letra Luiz Tatit
música Chico Saraiva
esse amor imenso
que não tem mais fim
eu não sei quem foi que fez
crescer tanto assim
é tão impreciso
não sei distinguir
o que vem só de você
do que vem de dentro de mim
se é a incerteza
que nos faz bem
ou o mistério
que também tem
se é delírio
não saber quem é quem
toda vez que canto
ouço a sua voz
é o que sempre você diz
cada um por nós
se nada é só de mim
se nada é só você
não há mais que um ser
o mar
letra trecho do poema o cão sem plumas de joão cabral de melo neto
música sandra ximenez
o mar e seu incenso,
o mar e seus ácidos,
o mar e a boca de seus ácidos,
o mar e seu estômago
que come e se come,
o mar e sua carne
vidrada, de estátua,
seu silêncio, alcançado
à custa de sempre dizer
a mesma coisa,
o mar e seu tão puro
professor de geometria.
eu danço!
letra trecho de poema homônimo de mário de andrade
música leonardo muniz Corrêa
eu danço manso, muito manso,
não canso e danço,
danço e venço,
manipanço...
só não penso...
inscrição
letra poema de sergio cohn
música sandra ximenez
não pensar intenções
mas desejos
ver-se
no reflexo
de pupilas alheias
(todo sonho permanece preso
ou não-nascido)
oxumaré
domínio público/ presente no candomblé da Casa Fanti-Ashanti
oniceuá
oniceuá vodum qüê ô dabó
pajelo lomedó
vodum cabelô dabó
vodum dandá rondê
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