SENÓIDE | 2007 [lançamento]

 

 

SENÓIDE |2007  
1

Mediterrâneo

5:49 Felipe Julián
2

Exú

1:10 domínio público presente no candomblé da Casa Fanti Ashanti do Maramhão / arranjo: Felipe Julián
3

Claridade Luz

3:21 Lincoln Antônio sobre fala poema de Stela d Patrocínio
4

Arenosa

2:51 gustavo leguizamón (SADAIC, Argentina)
5

Cantiga de Amigo

3:29

elomar figueira

6

Obá

1:09 domínio público presente no candomblé da Casa Fanti Ashanti do Maramhão / arranjo: Felipe Julián
7

Senóide

0:38 Sandra Ximenez, Leonardo Correa, Felipe Julián
8

Feitiço Infinito

3:08 Sandra Ximenez
9

Filha da Palavra

4:37

letra  sandra ximenez (inspirada em obra lítero-visual da artista thula kawasaki)
música  sandra ximenez e felipe Julián

10

Rupestre

3:45

letra  parte I. do poema canção do ver de manoel de barros música  felipe julián e leonardo muniz corrêa

11

Peregum

4:57

domínio público/ cântico para Ossaim do candomblé baiano

12

Incerteza

1:49

letra  Luiz Tatit
música  Chico Saraiva

13

O Mar

2:02

letra  trecho do poema o cão sem plumas de joão cabral de melo neto
música  sandra ximenez

14

Eu Danço

2:13

letra  trecho de poema homônimo de mário de andrade
música  leonardo muniz Corrêa

15

Inscrição

0:50

letra  poema de sergio cohn
música  sandra ximenez

16

Oxumaré

1:19 domínio público presente no candomblé da Casa Fanti Ashanti do Maramhão / arranjo: Felipe Juliá

As faixas 1, 2, 6, 7, 8, 9, 11, 16 deste trabalho estão licenciadas sob uma licença creative commons atribuição-uso não-comercial-compartilhamento pela mesma licença 2.5 brasil.

 

 

mediterrâneo
felipe julián

onde ferro entranha pedra planta
o longe rente

mar se fará método e fonético o alfabeto

entre ocaso e oriente
ferro de forjar ferro
gente forjará gente

desarraigado assim desarraigante

onde pedra planta ferro entranha
ocidente

exu
domínio público/ presente no candomblé da Casa Fanti-Ashanti

exu iua juá mamá
ké i odara
laroiê

exu iua juá mamá
ké i odara
babá ebó/ ê iaô

claridade luz
letra  stela do patrocínio
música  lincoln antonio

para Silvana Gorab

 eu tava tomando claridade luz
eu tava tomando claridade luz
quando a luz apagou
claridade apagou
tudo ficou nas trevas
da madrugada mundial
sem luz

quando no escuro
fizeram poça pra pegar a luz
fizeram poça pra pegar a luz
fizeram poça pra pegar a luz
e a claridade

arenosa
letra  manuel castilla
música  gustavo leguizamón (SADAIC, Argentina)

dedicada a lucia pulido, fernando tarres y la raza

arenosa, arenosita
mi tierra cafayateña
el que bebe de tu vino
gana sueño e pierde pena

deja que beba em tu vino
la sabia cafayateña
y que me pierda em la cueca
cantando antes que me muera

arena, arenita
arena tapa mi huella
para que em la vendimia,
vidita, yo vuelva a verla

el agua del calchaquí,
padre de todas las siembras,
quando uno se va y no vuelve
anda llorando y lo sueña

luna de los medanales
lunita cafayateña
luna de arena morena
en carnavales de ausencia

 

cantiga de amigo
elomar figueira

lá na casa do carneiros onde os violeiros
vão cantar louvando você
em cantigas de amigo cantando comigo
somente porque você é minha amiga mulher
lua nova no céu que já não me quer

dezessete é minha conta vem amiga e conta
uma coisa linda pra mim
conta os fios dos teus cabelos sonho e anelos
conta-me se o amor não tem fim... madre amiga é ruim
me mentiu jurando amor que não tem fim

lá na casa dos carneiros sete candeeiros
iluminam a sala de amor
sete violas em clamores sete cantadores
são sete tiranas de amor para amiga em flor
que partiu e até hoje não voltou

dezessete é minha conta vem amiga e conta
uma coisa linda pra mim
pois na casa dos carneiros violas e violeiros
só vivem clamando assim: madre amiga é ruim
me mentiu jurando amor que não tem fim

 

obá
domínio público/ presente no candomblé da Casa Fanti-Ashanti

obá ê legoa ja ussi
obá ê legoa ja ussi

oluô obá mil’obá
obá ê legôa ja ussi

 

senóide
sandra ximenez, felipe julián, leonardo muniz corrêa

 

feitiço infinito
sandra ximenez

onde inicio o risco do oito

feitiço infinito

todos os pontos pintam no centro
todos os pontos pintam o centro
todos os pontos pintam

risco certo ponto
encanto
indico como
visto feitiço

 

filha da palavra
letra  sandra ximenez (inspirada em obra lítero-visual da artista thula kawasaki)
música  sandra ximenez e felipe Julián

(não posso deixar escapar meu pensamento)

thula kawasaki disse que
a menina conhecia melhor que ninguém
tudo aquilo que não existia

... eu sou filha da palavra
eu nasci de uma idéia ...

(não posso deixar escapar meu coração)

eu me deparo com o vazio
eu firmo o passo, respiro o abismo

corro, disparo no vazio
respiro o passo, eu firmo o abismo

eu fecho os olhos no vazio
eu sopro vozes nos vazios
projeto o corpo no vazio
eu firmo o passo, respiro o abismo
eu firmo o passo, respiro o abismo

faísco olhares nos vazios
eu viro o passo, respiro acima

caminho sobre os edifícios
espalho folhas nos meninos
recolho mitos modos femininos
eu firmo o passo, respiro o abismo
eu firmo o passo, respiro o abismo

... eu sou filha da palavra
eu nasci de uma idéia ...

suspiro vozes no caminho (sussurro frases no vazio)
meu medo escapa por um fio
eu dou de cara com o abismo
e sobrevôo o precipício

 

rupestre
letra  parte I. do poema canção do ver de manoel de barros
música  felipe julián e leonardo muniz corrêa

por viver muitos anos dentro do mato
moda ave
o menino pegou um olhar de pássaro –
contraiu visão fontana.
por forma que ele enxergava as coisas
por igual
como os pássaros enxergam.
as coisas todas inominadas.
água não era ainda a palavra água.
pedra não era ainda a palavra pedra.
e tal.
as palavras eram livres de gramáticas e
podiam ficar em qualquer posição.
por forma que o menino podia inaugurar.
podia dar às pedras costumes de flor.
podia dar ao canto formato de sol.
e, se quisesse caber em uma abelha, era
só abrir a palavra abelha e entrar dentro
dela.
como se fosse infância da língua.

 

peregum
domínio público/ cântico para Ossaim do candomblé baiano

peregum ala ó titum ô
peregum ala ó titum
abadana tu ala ò perê
peregum ala ó titum

eue kiô bassá gojé
eue bobo d’Orixá
eue kiô bassá gojé babá
eue bobo d’Orixá

 

incerteza
letra  Luiz Tatit
música  Chico Saraiva

esse amor imenso
que não tem mais fim
eu não sei quem foi que fez
crescer tanto assim

é tão impreciso
não sei distinguir
o que vem só de você
do que vem de dentro de mim

se é a incerteza
que nos faz bem
ou o mistério
que também tem
se é delírio
não saber quem é quem

toda vez que canto
ouço a sua voz
é o que sempre você diz
cada um por nós

se nada é só de mim
se nada é só você
não há mais que um ser

 

o mar
letra  trecho do poema o cão sem plumas de joão cabral de melo neto
música  sandra ximenez

o mar e seu incenso,
o mar e seus ácidos,
o mar e a boca de seus ácidos,
o mar e seu estômago
que come e se come,
o mar e sua carne
vidrada, de estátua,
seu silêncio, alcançado
à custa de sempre dizer
a mesma coisa,
o mar e seu tão puro
professor de geometria.

 

eu danço!
letra  trecho de poema homônimo de mário de andrade
música  leonardo muniz Corrêa

eu danço manso, muito manso,
não canso e danço,
danço e venço,
manipanço...
só não penso...

 

inscrição
letra  poema de sergio cohn
música  sandra ximenez

não pensar intenções
mas desejos

ver-se
no reflexo
de pupilas alheias

(todo sonho permanece preso
ou não-nascido)

 

oxumaré
domínio público/ presente no candomblé da Casa Fanti-Ashanti

oniceuá
oniceuá vodum qüê ô dabó
pajelo lomedó

vodum cabelô dabó
vodum dandá rondê

 

 

voz, teclado e piano

sandra ximenez 
baixos, eletrônicos, teclado em filha da palavra
felipe julián 
saxofones, clarinete, eletrônicos em filha da palavra
leonardo muniz corrêa 

voz, teclado e piano

sandra ximenez 
baixos, eletrônicos, teclado em filha da palavra  
felipejulián 
saxofones, clarinete, eletrônicos em filha da palavra   
leonardo muniz corrêa 
produzido por
felipe Julián

arranjos 

axial
arranjos em exu, oba e oxumaré 
felipe Julián

gravação e mixagem

 felipe julián

assistência de mixagem

sandra ximenez

masterização

andré magalhães no estúdio zabumba

 

projeto gráfico

edu marin kessedjian e daniel trench

foto

edu marin kessedjian
gravuras em metal
edu marin kessedjian

 

faixas exu, obá, e oxumaré

quarteto de saxofones bando de campana:

leonardo muniz corrêa, anderson quevedo, felippe figueiredo e mário checchetto

 

faixa  incerteza
produzida por  sandra ximenez

 

faixas peregum, exu, obá, e oxumaré
a grafia das letras desses cânticos, neste encarte, corresponde à compreensão fonética ouvida em gravações e não à escrita dos idiomas africanos

 

algumas das músicas deste álbum foram realizadas com samples obtidos no site the freesound project que busca ser um banco colaborativo de sons licenciados via creative commons.
agradecemos as contribuições espontâneas de:jonathanJansen, anton, acclivity, ao_ks, jovica, harri, stinkhorn, freed, martian, einsamba, dobroide, lancelottjones, batchku, samplecat, jenc, dcbicycle, agarwal.parag, d.garro, djgriffin, patchen, ls, mikjay, fonogeno, sleep.

 

agradecimentos

casa fanti-ashanti, talabyan euclides menezes ferreira, dindinha, zezé, graça e bartira de menezes, bando de campana, elomar figueira, manoel de barros, lincoln antonio, chico saraiva, sergio cohn, luiz tatit, thula kawasaki, viviana pereira, cooperativa de música de são paulo, andré magalhães, estúdio zabumba, edu marin kessedjian, daniel trench