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ENCARTE VIRTUAL AXIAL
Faixa 1 – PAPALOKO(domínio público,
canção de escravos do Haiti)
Papaloko
ou sé van Pousé-n alé Nou sé papiyon Na pote nouvèl bay
agoué E tou sa ki di biyin Jé-m layé E tou sa ki di mal o-o Jé-m layé Papaloko
ou sé van éy Pousé-n alé Nou sé papiyon Na poté nouvèl bay
agoué Paròl Papaloko, paròl
ampil-o Pousé-n alé Nou sé papiyon Na poté nouvèl bay
agoué. Faixa 2 – TAMANQUERO(domínio público, coco da Paraíba anotado por Mário de Andrade) Tamanquero quero um pá,
quero um pá, quero um pá Eu quero um pá de
tamanco pr’eu calçá Mas habitava Adão
nesse jardim Ai que Jesus pra ele
tinha plantado Ai mas um dia se viu
triste isolado Foi se queixar a Jesus
dizendo assim: A beleza que fizeste
para mim Ai não me dá prazer
nem alegria Jesus Cristo perguntou
o que queria Ele disse: Senhor o
meu desejo Ah é ver outro igual
a mim porque não vejo Um outro ser que me faça
companhia Ah é ver outro igual
a mim porque não vejo Um outro ser que me faça
companhia Tamanquero quero um pá,
quero um pá, quero um pá Eu quero um pá de
tamanco pr’eu calçá Faixa 3 – ORIKI DE OXUM(música: Sandra Ximenez, letra: adaptação de oriki nagô-iorubá transcriado por Antonio Risério) Água que vai para o
mar Teus cílios luzes
para mim Mãe suave, ave leve Ave leve, eleva-me. Faixa 4 – PAPADANMBALAH(domínio público, canção de escravos do Haiti) Roy,
Papadanmbalah Papadanmbalah,
Danmbalah Ou
konnin n´sé pitit-ou Papa Papadanmbalah,
Danmbalah Louvri
Jé-ou pou gadé-n Danmbalah
éy Mapé
mandé ou Koté
ouap kité pitit ou-yo Danmbalah
roy Fo
ou vini ouè Nan
ki mizè pitit ou yé. Roy,
Papadanmbalah Faixa 5 – ESPAÇO VAZIO(música: Lincoln Antonio, letra: fala-poema de Stela do Patrocínio) Eu era ar e tempo Eu era ar e tempo,
espaço vazio, tempo Eu era ar e tempo,
espaço vazio Eu era gases puro, ar,
espaço vazio, tempo E gases puro, assim Eu era ar e tempo Eu não tinha formação Não tinha formatura Não tinha onde fazer
cabeça Fazer braço, fazer
corpo Fazer orelha, fazer
nariz Céu da boca, falatório Fazer músculo, fazer
dente Eu não tinha onde
fazer nada dessas coisas Pensar em alguma coisa Ser útil,
inteligente, ser raciocínio, fazer cabeça Não tinha onde tirar Eu era espaço vazio Eu não sei como é
que pode formar uma cabeça Um olho enxergando,
nariz respirando Boca com dentes Orelhas ouvindo vozes Pele, carne, ossos Altura, largura, força Pra ter força O que é preciso fazer Tomar vitamina É preciso vitamina. FAIXA 6 – TORRE DAS MERCÊS(domínio público, canção das caixeiras da Casa Fanti-Ashanti) Lá na torre das mercês
meu olhar perdeu de
vista, ai Deus Lá no céu tem uma
estrela que faz as outras
bonita, ai Deus FAIXA 7 – BURITI(música: Felipe
Julián, texto adaptado: João Guimarães Rosa) Trás noite, trás noite, o
mundo perdeu suas paredes. Fere um grilo, serrazim. Silêncio.
O
mato – vozinha mansa – aeiouava. Do outro mato, os respondidos. Um
peixe espiririca. Um trapejo de remo. Um gemido de rã. O seriado túi-túi
dos paturis e maçaricos, nos piris do alagoado. Nunca há silêncio. As
ramas do mato, um vento, galho grande rangente. As árvores querem
repetir o que de dia disseram as pessoas. Frulho de pássaro arrevoando
– decerto temeu ser atacado. No silêncio
nunca há silêncio.
Se
assoviaram e insultaram os macacos, se abraçam com frio. Tiniram
dentes. Reto voa o notibó, e pousa. O chororocar dos macucos, nas
noites moitas, os nhambus que balbuciam tremulantes. Se a pausa é
maior, as formigas picam folhas; e as formigas que moram em árvores.
Uma coruja miou,
gosmenta. A coruja quer colóquio. Sapos se jogam de sua
velha pele. Esses são feiticeiros.
O vento muda é para
se benzer em cruz. Há um silêncio, mas
que muitos roem, ele se desgasta pelas beiras, como laje de gelo.
Se o senhor quiser
ouvir só o vento, só o vento, ouve. Cada um escuta
separado o que quer.
FAIXA
8 – ANA NA CACIMBA
(domínio público, baião de princesas da Casa Fanti-Ashanti) Ana mora na cacimba Na cacimba, eh Ana mora na beira do
rio Na cacimba, eh Música incidental: Tamandaré, Cacimba Nova (melodia de catimbó da Paraíba, anotada por Mário de Andrade) Tamandaré, cacimba
noca As água toda remói FAIXA 9 – VÔ GUERÊ IEMANJÁ(domínio público, tambor de mina de São Luís do Maranhão em verão de seu Bibi da Casa de Nagô) Vô guerê Iemanjá Vô guerê Iemanjá
(Orixá) Olorixá quer Quereô qüe ‘
Lorixá gueriba Colé
colé mina mi enceô Iamanjá Aba
colé mina mi enceô Iamanjá Faixa 10 – ORIKI DE IEMANJÁ(música: Sandra Ximenez, letra: trecho de oriki nagô-ioruba transcriado por Antônio Risério com inserções de Sandra Ximenez) Mar, dono do mundo,
que sara qualquer pessoa. Velha dona do mar. Fêmea-flauta acorda
em acordes na casa do rei. Descansa qualquer um
em qualquer terra. Cá na terra, cala –
à flor d’água, fala. (Cada
tua filha, uma ilha Pétala
n’água salgada
Lágrima
cristalizada.)
Faixa 11 – IEMONJÁ(domínio público,
2 cantos para Iemanjá) Iemonjá awabô
Yemonjá awabô aiô Yemonjá awabô aiô Iagba ode ire sê A ki iê Yemonjá Iá koko pê ilegbê
aiô Odofi iassa ueré o Iassa ueré o Odofi iassa ueré o
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